quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Não é que eu não tenha nada a dizer. Eu tenho. Ah, na verdade eu poderia passar um dia inteiro falando de você. Com você. Sobre você. Sobre nós e sobre tudo que aconteceu e que ainda acontece. Os pequenos detalhes que a gente vive todo dia e que, você sabe, pra nós nunca foram detalhes. Mas eu não consegui. Não consegui vir aqui e escrever sabendo que você provavelmente não iria ler. Guardei tudinho dentro de mim, por segurança ou por acreditar que, talvez, se eu não colocasse pra fora, não fosse verdade. Perto de você tudo que eu pensava ou sentia transbordava: nas palavras, nos atos, nos olhos... Agora, de longe, tem sido muito mais fácil ficar calada. Por um lado, eu aprendi a me preservar. Em alguns momentos, no entanto, é bastante solitário. Não que eu esteja sozinha - ao contrário. Passar por tudo que eu vivi ultimamente me fez ver o quanto eu estava rodeada de pessoas maravilhosas e que se importam comigo. No entanto, nenhuma delas parecia minha o suficiente pra que eu me abrisse de verdade, como fazia com você. Eu tinha medo de cansá-las ou deixá-las preocupadas e envolvidas demais. Talvez eu não quisesse escutar o que elas tinham pra dizer sobre como tudo aquilo que eu sentia era sério. Afinal, por mais sério que fosse, eu sentia que só você podia me ajudar. Demorou pra eu perceber que a saída nunca esteve em você, mas em mim. Que buscar-te só me fazia ficar mais longe de quem realmente poderia mudar tudo: eu. Mas eu me achei. Continuo me achando um pouquinho mais, todos os dias. E, acredite, eu continuo sendo aquela que você tanto conhece. Continua sendo difícil, mas agora eu sei que consigo, sim. E sei disso porque, apesar de todos os motivos que eu teria pra amargar, o amor continua crescendo dentro de mim. Sem que eu faça força, ele surge das mais variadas formas, mas há algo em comum em todas elas: ele sempre traz um motivo pra me fazer continuar.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Meu amado Deus,


Há inúmeras coisas sobre Ti que me encantam. Teu amor, Tua justiça, Teu plano, Tua identidade... Tudo isso me atrai de um jeito que altera tudo aquilo que eu vejo. Mesmo aquilo que eu ainda não entendo ao Teu respeito igualmente me conquista, pois me mostra que Tua grandeza está muito além da minha compreensão. Mas agora, nesse instante, sabe o que mais me encanta em Ti, Deus? É o fato de que Você não muda. Permaneces o mesmo em tua eternidade. E eu mudo tanto... Chego a me incomodar com minha própria instabilidade. Mas Tu, Senhor, és fiel. Fiel a mim, mas acima de tudo fiel a quem Tu és. As vezes eu me deixo transformar em algo que não sou no meio das circunstâncias. Mas Tu não. Continuas sendo bom, mesmo quando eu não consigo ser. Continuas sendo amor, mesmo quando os dons de amar estão longe de mim. E quando eu sou confusão, Tu ainda és a verdade. Todas as vezes em que eu olhei pra mim e percebi que já não era mais quem eu costumava ser, olhei pra Ti e vi que continuavas igual. E que continuavas sendo a melhor parte de mim. Não importa qual seja meu estado ou quem eu pense ser no momento: eu não sou, nunca fui nem nunca serei eu sem você. ..

(não existe eu se não houver Você do outro lado.)

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Eu sempre fui mais forte que você. Certamente você pensa o oposto, já que eu parecia tão frágil no teu colo. Eu estava vulnerável. Nunca fiz questão de esconder coisa alguma de você. Ao contrário. Acho que mostrei demais. Falei, desenhei e quase cantei tudo que eu achava que a gente era, pra chamar tua atenção e te fazer realmente acreditar que nós dois valiamos a pena. Que valeria a pena se eu fosse pelo menos metade do que você dizia que eu era pra ti. Mas hoje eu vejo que quanto mais eu tentava te convencer, maior era a prova de que você não me merecia. E eu queria que merecesse. Chorei, contigo e sozinha. Discuti inúmeras vezes, mas continuei ali pra você ao menor sinal que você precisasse de mim. Talvez você ache que isso era um sinal de fraqueza, mas você não tem ideia da força que isso exigiu. Se importar demais, se entregar por completo, aceitar os defeitos do outro e engolir o orgulho quando estes te incomodam exige uma força que você nunca teve. Eu fui seu apoio. Logo eu, que procurava tanto apoio em você. Logo eu, que você dizia ser tão frágil. Que lidava com tantas inseguranças. Eu suportei, porque você não suportaria. Isso é claro. Era claro antes, quando você nem conseguia olhar nos meus olhos ou dar um bom dia no elevador. E é claro agora, já que você esperneou quando qualquer coisa pareceu fugiu do seu controle ou do seu plano perfeito. Eu sempre fui mais forte que você, e por isso sempre tive que lidar com doses muito maiores de sofrimento. Você guardou as fotos, as palavras, as cartas, tudo aquilo eu fui te dando junto com pedacinhos de mim. Eu não. Eu tive que dar tchau, mesmo que sem deixar claro. Te devolvi seus pedaços mesmo que você fosse fraco demais pra devolver os meus. Não foi justo. Ainda não é. Mas eu tenho aceitado, em doses homeopáticas, ficar sem você. Pode ir. Leve o que quiser. O que vai ficar pra sempre é a minha indescritível ânsia em acertar. E quando você tiver forças pra olhar tudo de frente, verá que errou. Errou, pois no fundo sabia que eu iria suportar, já que eu sempre fui mais forte que você.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Mais um sobre você

Eu não queria. Não queria voltar aqui, depois de tanto tempo, pra escrever algo sobre você. Justo sobre você, de novo. Mas aqui estou. Você sempre soube, exatamente, como extrair o meu melhor e o meu pior. Você é um pouco arte dentro de mim. Nós somos, não há como deixar de ser. Não deixa. Não passa. 

Eu realmente cheguei a achar, em algum momento, que havia deixado. Que você não era mais do que um velho amigo, aquele alguém que, por ter sido importante demais, sempre ocuparia um espaço em minhas orações. Por ter sido quem foi, sempre poderia contar comigo, embora eu achasse que eu era a última pessoa pra quem você correria. Se não houvesse mais ningúem, eu estaria ali. Largaria tudo, correria ao menor sinal de que você precisava de mim. Isso já era muito, talvez mais do que qualquer um acharia que você merecia. Mas era isso.

Hoje, eu vejo que sempre foi muito mais. Você não estava sozinho, não precisava de mim pra nada e nem contava com a minha ajuda. Ainda assim, foi só você chamar. Eu fui ao seu encontro. Estalou os dedos, e eu apareci debaixo do seu nariz. Não há porque negar ou fingir por orgulho. Você sabe disso, eu também. Talvez eu tenha um pouco mais de dificuldade, no entanto, de ficar longe se você me afastar. Mas se for pra você ficar feliz, eu sei que vou achar forças de alguma forma. Porque, apesar de tão frágil em teu colo, eu sempre fui mais forte que você. Você não aguentaria. Eu sim. Talvez não seja justo, mas é assim. 

Eu não queria, mas escrevi mesmo assim. Eu poderia agora apagar esse monte de palavras e fingir, pelo menos pro mundo, que você não é mais nada, como muitas vezes você finge a meu respeito. Mas não farei isso. Você faz parte do meu diário. Do escrito e do vivido. Minhas palavras bonitas nunca resolveram muita coisa, mas elas vão ter sempre sido suas. E se elas foram, não tem como deixar de ser. Não deixam. Não passam. 

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Fácil

Eu não sei bem como estava seu coração antes de mim. O que eu sei é que o meu doeu tanto que ficou dormente. E, com o tempo, se acostumou a achar que aquilo que vale a pena tem que doer. É engraçado como a gente demora tanto pra perceber que "valer a pena" vai muito além disso. Poucos são os que reconhecem o valor de um amor fácil. Afinal, a gente cresce ouvindo que o melhor é o mais difícil, não é? A gente só aprende que ele deve ser calmo e tranquilo quando se dá conta que já temos inseguranças e indecisões demais dentro de nós para andar ao lado de alguém que nunca parece estar realmente decidido por você. Chega uma hora que a vida pede isso. Aos poucos, vamos nos livrando das ideias infantis de monstros, fantasmas e bruxas e deixamos de complicar o que deveria ser descomplicado. Nem todo mundo tem a firmeza de admitir isso. Alguns preferem achar que amar alguém é uma aventura louca, perigosa e inconstante que poucos sortudos vão ter o prazer de viver. Eu pensei assim. E isso me levou a insistir tanto que, um hora, eu tive que desistir. Mas aí você chegou. E é por isso que eu gosto de te falar que com você tudo é tão simples que dá medo. Mas, sinceramente, eu nunca me senti tão segura em relação a alguém. Sei que dizem que quando a gente gosta de alguém, acaba ficando vulnerável. Mas eu não me importo de estar vulnerável quando você mexe no meu cabelo. Ou quando você beija minha testa e olha pra mim de um jeito que me deixa envergonhada. Meu medo é não poder mais me deixar sentir assim. É que, você sabe, eu já cansei de brincar de queda de braço. Vamos olhar a lua na varanda?

segunda-feira, 23 de março de 2015

Brilho

Coisa demais mudou e eu, quem diria, me vi longe do papel. Tenho passado por tantos remendos que ando sem tempo, sem inspiração, sem conteúdo... ou sei lá o que me falta. Eu tô estranha, sim. Mas, acredite, eu tô feliz. Aprendi que sou e que posso ser feliz em meio a muitos contextos. Descobri que se um plano não dá certo eu arranjo outro e lá está o meu sorriso. Mas tem coisas que nunca mudam. Sempre dizem isso, e por mais que pareça irritante e repetitivo, é verdade. Você ainda me dá vontade de escrever... Você desperta aquela menininha sensível que eu fui e que ainda sou em algum cômodo dentro de mim. Você me dá saudades de botar pra fora quem eu era e que ultimamente não consigo nem quero mais ser. Eu meio que ainda sou a poesia que você (e algumas outras poucas coisas) conseguem despertar. E você meio que ainda é um bocado de palavras que fazem a vida parecer mais interessante do que realmente é. Ultimamente tenho preferido a sobriedade. Ainda assim, obrigada por me arrancar o brilho que eu não perdi.Vez por outra, preciso dele aqui fora para clarear os dias escuros.