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terça-feira, 23 de abril de 2013

Sobre o dia mundial do livro e as delícias que este nos traz

Um livro pode ser um grande aliado, dependendo das mãos onde estiverem. Nas minhas, sempre foi como um passaporte. Viajar em todas aquelas letras, páginas com marquinhas do tempo e o cheirinho (de novo ou de velho) é como um escape. Independente do estilo, afinal gostoso mesmo é ler o que a gente quiser, sem ter que dar satisfação pra ninguém. É um alimento pra alma, e isso é algo pessoal, só nosso. 

Hoje, o dia do livro é comemorado no mundo inteiro, uma homenagem à dois grandes autores, William Shakespeare e Miguel de Cervantes. Sei que pode parecer clichê falar sobre toda a magia da leitura no dia do livro, mas alguns clichês são cheios de sabedoria, e aí vai um deles:

Um país se faz com homens e livros.

E um homem se faz com livros, amor e exemplo. A literatura representa um delicioso degrau em direção ao conhecimento. E também para perpetuação deste. Acho que a melhor parte é saber que, depois de mim, várias outras pessoas poderão ter acesso àquele conteúdo, afinal, ele está ali. Impresso. Irredutível. Pronto para ser lido, esperando alguém que o use como o aliado que ele pode ser. 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Escrever: sentir, transbordar, libertar.


Redação sempre foi minha matéria favorita. Nas aulas da escola, eu ficava empolgada para o dia que nos mandavam escrever, geralmente uma ou duas vezes por mês. Lembro da minha ansiedade para saber o tema e construir o texto, tijolo por tijolo, palavra por palavra. Também adorava quando a professora corrigia. Era como se, enquanto avaliava aquilo que eu escrevi, ela estivesse reservando um tempinho só pra mim, para adentrar meus pensamentos, ler minhas linhas e entrelinhas e se transportar para o meu mundinho particular.

A única coisa que me incomodava era não me sentir livre pra escrever da forma que eu via o mundo e o carregava dentro de mim. Eu estava presa à todas aquelas regras, normas, parágrafos, estruturas... Eu não gostava da seriedade daquilo tudo. Escrever, pra mim, tem muito mais a ver com sentimento do que com razão. Bom mesmo é colocar no papel o que der na telha. Algumas vezes rimar, outras deixar tudo solto. Um dia fazer tudo certinho, com princípio, meio e fim, e no outro deixar tudo embaralhado. Afinal, quem disse que as coisas ocorrem sempre do mesmo jeito? Por que não começar pelo fim, voltar pra o início e depois contar os meados disso tudo? A delícia de escrever é isso! Poder transbordar aquilo que há dentro de nós: a organização, a verdade, mas também a bagunça, a loucura e tudo mais que houver.


 Não posso deixar de reconhecer a importância das normas, da rigidez da dissertação, do editorial ou da carta. Mas o meu maior prazer é o jogo de palavras, o mix de letras, de semântica, de fonética e de sentimento. O texto bom de escrever é aquele que carrega um pouquinho da gente, que leva consigo o brilho dos olhos, o sorriso dos lábios e a dor do coração. É aquele que faz a gente se debruçar sobre a mesa e rabiscar, rabiscar, rabiscar... nos permitindo não medir muito as canetadas. Pouco interessa o assunto, o tamanho ou a estrutura: ele próprio se explica, se apresenta, se vende, se lê.

sábado, 30 de março de 2013

Metalinguagem

Eu já mudei esse blog de cara várias vezes, já mudei o foco, já mudei a forma dos posts... mas eu nunca tirei do papel a ideia de publica-lo. Faz tempo que tenho vontade de começar a mostrar o que eu escrevo, mas fico com medo que isso tire toda a graça, sabe? Esse é um espaço meu, eu posso escrever o que eu quero, sobre o que eu quero, sem me preocupar muito. Tem dias que eu simplesmente quero vir aqui colocar aquilo que está passando na minha cabeça. Eu digito, e (puf!) pronto! Não preciso revisar, medir muito as palavras e nem nada. É livre, espontâneo. Outros dias eu quero vir e colocar um texto legal, uma ideia que tava na minha cabeça há dias e to louca pra escrever. Eu gosto de dar vida ao mundinho que eu imagino. Uma pessoa, um lugar, um objeto... qualquer coisa. Posso trazer isso a tona da forma que eu quiser. Por isso ficção é o tipo de texto que eu mais gosto de fazer. Mas tem dias que eu só quero falar de mim, da minha vida, das pessoas e das situações de verdade, que as vezes são engraçadas, inesperadas, mas na maior parte do tempo são apenas normais. Eu gosto de me ver livre pra fazer o que quiser disso aqui, mas também gostaria de saber que outras pessoas estariam do outro lado, sabe? Seria como não ser muda, ganhar uma voz. Saber que eu não estou gritando no escuro. Não imagino que seriam muitos, mas sei lá, poderia ser qualquer um! Talvez fosse bom, mesmo que fosse pra ouvir que o que eu escrevo é uma porcaria, ou pra descobrir que não é tão fácil assim passar a mensagem que eu quero passar, mas pelo menos eu saberia que tinha tentado. Eu sou tímida, ansiosa e, confesso, me preocupo sim com o que os outros pensam. Eu tenho medo de me mostrar, mas quem sabe seja isso que eu preciso fazer. Eu não sei que rumo eu vou dar pra isso aqui, mas eu sem dúvida adoro vir e escrever um pouquinho no final do dia, ou sei lá, em qualquer hora que eu tiver vontade. É como um refúgio, um lugar pra ser eu, ou pra ser quem eu quiser. Tenho medo de perder isso, mas também receio perder algo ainda melhor por não me permitir viver todas as possibilidades.