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sábado, 4 de janeiro de 2014

O coração que chamo de meu

Eis que é um coração assim: novo, mas com cicatrizes. Algumas feridas abertas. Outras sumidas, como se jamais tivessem existido. Brilhante. Grande? Do tamanho que deve ser. Insensato, por vezes. Carente e vívido, ávido por amor. E fala dele tanto quanto o sente. Insistente. Ainda é em parte criança, imaturo, medroso, inocente. Mas caminha em passos largos para tentar acompanhar a menina que mais rápido do que pensa se torna mulher. Tão frágil... tão forte. Chora com facilidade e junta os próprios pedaços, obrigando-se a aceitar que a vida, na verdade, nem sempre é justa como a gente quer.

Esse coração é meu, e de quem mais haveria de ser? Se ajusta tão perfeitamente em minhas entranhas, controla tão minunciosamente os meus pensamentos e os meus dias. Esse coração é puro. Mas de vez em quando cai na lama e precisa que algumas lágrimas o lavem. Passa com seu riso frouxo mesmo em meio à melancolia e se obriga a ser doce, ainda que esteja cheio de ira. Um coração imperfeito, que ainda está aprendendo a se cuidar. Anda por entre outros, alguns maravilhosos e outros espinhosos, assustado por não saber ainda destingui-los muito bem. 

O meu coração quer muita coisa. Tem pressa, mas é preguiçoso. Sabe que deve buscar, mas que deve acima de tudo descansar. Afinal, você deve lembrar, ele foi criado. Idealizado e posto em local escolhido, separado. Tem mania de buscar simpatia, sente medo de perdê-la ao se revelar. As vezes se finge de mais fraco, as vezes de mais forte. Mas é como é.

Jamais poderá ser compreendido. Nem pelo mundo, tampouco por si mesmo. O meu coração alegra-se e me faz alegre também. Meu coração tem um dono, mas Ele não vive aqui na Terra. Meu coração as vezes quer ser de outro alguém, se entregar completamente, mas jamais poderá fazê-lo. Deverá aliar-se, derramar-se, amar e amar-se. Mas já foi prometido, comprado, separado. Meu coração pode ser doce ou cruel. Enganoso, utópico, teimoso. Fugaz... eterno. Buscando pelo pra sempre, pois foi moldado pelo Pai da eternidade.

Um coração que só poderia ser meu me foi entregue. Com ele eu sonho, vivo e me movo. Com ele eu sou eu. Brinco com a vida, usando sua humildade, seu brilho, sua essência. E disciplinando-o. Ele quer, ele precisa ser melhor.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Mentirinhas que a gente escuta

Sabe, sempre ouvi dizerem que a vida é difícil, é complicada, injusta. Também ouvi que o amor machuca, que o tempo passa rápido... As vezes acho que as pessoas repetem uma coisa mil vezes, sem nunca parar pra escutar a própria voz. Será, mesmo, que a vida é tão complicadinha? Ou é a gente que complica tudo? Eu vejo tanta gente triste que tinha tudo pra ser feliz, tanta gente solitária que está rodeada por uma multidão... Vai ver elas nunca se deram ao trabalho de olhar para o que há por trás dos paletos, abaixo dos óculos escuros. E também nunca se deixaram ser vistas. Se escondem atrás de um sorriso falso, de quem quer sair bem na foto. Não se deixam cativar.
Eu costumo dizer que amo, mas também tenho muito medo de gente. Uma amiga da minha mãe me falou, quando eu era bem pequena, que eu era uma daquelas pessoas que enxergam o que muita gente não vê, que entra na alma do outro, que vê nos olhos a beleza que se esconde. Eu achei isso tão lindo, que nunca esqueci. Talvez seja verdade. Eu adoro descobrir as pessoas mais a fundo, embora continue me assustando com algumas coisas que eu encontro. Gente vazia, eu nunca encontrei. Mas já achei quem finge que é vazio, porque oque tem dentro é pior do que o nada. E por isso repetem que o amor machuca. Mas quem machuca é a gente, que não sabe amar direito. O amor não machuca ninguém. E o tempo passa sempre igual, levando nossas dores pra bem longe, trazendo pessoas pra bem perto. Quem acha que ele passa rápido demais, é por que não sabe aproveitar os momentos que a vida dá.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Vida, astuta vida


É engraçado ver como a vida parece conhecer, minunciosamente, cada uma das nossas carências e fraquezas, e faz questão de nos surpreender, colocando coisas iguais no nosso caminho, mas de maneiras totalmente diferente. As vezes acho que ela gosta mesmo é de tocar na ferida. Ir lá bem no fundinho da gente, naquele cantinho do coração que a gente não mostra pra ninguém e tirar de lá o ponto de partida pra uma história nova. E depois outra. E mais outra. É como uma música que segue com a mesma letra, mas em outro ritmo. O ser humano é feito de erros, sim. Mas vive tentando acertar. Corre de um lado por outro, procurando seguir as regrinhas, a politicagem, as formalidades e tudo mais que o é imposto, mantendo um sorrisinho no rosto. Afinal, todo mundo quer sair bem na foto. O problema é que a vida ri da nossa cara, sabendo que, hora ou outra, aquela pedrinha no caminho vai machucar nossa parte mais frágil. E aí não dá pra disfarçar. Dói, dói, dói. Mas quando passa, faz um bem danado. Ah, claro... a vida não iria dar um paço em falso. Ela sabe o que faz. A gente é que não sabe o que fazer com ela.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Solitários: quem os enxerga na multidão?

"Digam o que disserem, o mal do século é a solidão" - disse Renato Russo em um ímpeto de saber e melancolia. Alguém se atreve a discordar? Podem citar a fome, as secas, a crise econômica, a violência, a pirataria... Nenhum mal da sociedade é maior que o desamor. Estamos cercados, sim. Há mais de 7 bilhões de pessoas no mundo, os bancos estão lotados e as filas, intermináveis. O trânsito é caótico, a frota de automóveis cresce a cada ano. Dentro dos carros, porém, é cada um no seu mundo. Os vidros fechados formam uma barreira entre nós e os ricos, estressados, malabaristas do sinal e as crianças dormindo na calçada.

Sem querer parecer piegas ou dramática, mas não consigo me imaginar viver um dia sequer sem amor. Somos humanos, carne e osso! Precisamos de calor, de olho no olho. Talvez seja meu jeito torto de enxergar as coisas, mas acho que o amor está, sim, em todo lugar. Ele não morreu. O problema é que, muitas vezes, é direcionado erroneamente: para o dinheiro, para os bens, poder, status ou simplesmente apenas para si mesmo. O amor não é concreto. Pode ser dividido em milhões de pedacinhos, e continuará tendo o mesmo valor. O que nos custa, então, distribuí-lo por aí?

Ao ver o vai e vem nas ruas, o corre corre do cotidiano, as pessoas que se cruzam sem dar bom dia, sinto que tudo isso está muito, muito longe de acabar. Talvez esteja só começando. Mas um dia vai ter que ter fim. Afinal, todos somos dependentes uns dos outros. Financeira, funcional ou afetivamente. Que seríamos sem os padeiros, garis, médicos, engenheiros, empresários e gerentes de RH? Como nos tornaríamos quem somos sem nossos pais, avós, professores, vizinhos, coleguinhas de turma e seguranças do bairro?

Embora eu não seja uma grande fã de clichês, alguns deles são cheios de sabedoria. Como crescer sem escutar que "fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho"? Em algum momento da vida, nós somos um daqueles solitários na multidão. E, sejamos justos, a tal solidão pode doer pra caramba e ser a raiz da infelicidade, mas pode fazer bem se for passageira. Precisamos nos encher de nós mesmos, nos conhecer, nos amar... e então estaremos prontos para amar a quem quer que seja. Seremos diferentes. Um rosto cheio de vida em meio à uma multidão homogênea, fria, quase estéril de solitários escondidos atrás do guarda chuva, esperando para serem, enfim, cativados...

... E assim começar uma corrente que pode mudar o mundo.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Mente aberta?

Uma vez uma amiga me disse que eu tinha "mente fechada". Isso me incomodou mais do que eu imaginava. O que ela queria dizer, afinal? Só por que não vejo o mundo como ela vê significa que não me permito enxergar? Talvez eu simplesmente não concorde. Cada um tem a sua verdade, eu respondi. Ela não pareceu convencida. Então pensei que era ela que estava fechando a mente para o meu ponto de vista.

Sei lá, talvez eu realmente feche os olhos pra algo que no fundo sei, mas não quero saber. É mais fácil, as vezes, fingir que uma coisa não existe, pra ver se ela realmente some e para de nos incomodar. Mas acho que todo mundo faz um pouco isso. Até porque, como eu já ouvi dizerem, estar em paz é melhor do que estar certo. Então um pouco de ignorância pode ajudar a manter uma verdade inconveniente  longe de nós. Dizem que as pessoas mais burras são mais felizes, não é? Eu meio que concordo. Mas só meio.

Já disse o poeta que o olho vê somente o que a mente está preparada para compreender. Então se a ignorância pode nos polpar de ver muita coisa ruim, também turva nossa visão diante de muitas maravilhas. Libertar a mente amplia os horizontes de maneira irreversível - portanto é melhor estar preparado para tudo. Mas deve valer a pena, sim. Afinal, ignorância todo mundo já nasce e morre possuindo. O conhecimento é que precisa ser acrescentado. Ele nos enche. E uma mente cheia deve significar coração cheio. Ah, não sei. "Coração é terra que ninguém vê". Mas uma pessoa com conteúdo tem chances bem maiores de mostrar a melhor parte dele.

Tem uma vida nas entranhas do cotidiano, escondida por trás dos dias. É preciso saber ler as entrelinhas para enxergá-la. O problema é que só as "pessoas de mente aberta" conseguem enxergá-la. Elas estão por aí, espalhadas e, muitas vezes, discretas. Libertas a ponto de não precisar provar isso pra ninguém. Mas não se engane: não existe só uma maneira de abrir a mente. Existem inúmeras. E, como o pior cego é aquele que não quer ver, é melhor achar seu jeito de abrir a sua um pouco mais. Só não queira passar do limite - Acredite, todo mundo (até os gênios, santos e filósofos) tem parte dela trancada.

domingo, 28 de abril de 2013

Essa tal esperança


"Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas." (Fernando Pessoa)

A gente cresce ouvindo que pode ser o que quiser. Astronauta, ator, médico, motorista de caminhão... ou até mesmo um vagabundo. Fazem uma espécie de lavagem cerebral de esperança. No entanto, os anos passam e a cobrança por resultados começa a ser pesada demais. Com isso, a maioria dos sonhos vão sendo substituídos por outros mais realistas, menos fantasiosos e que tragam dinheiro, estabilidade e, quem sabe, satisfação.

O problema é que, nesse meio tempo, existem duas formas de se perder. A primeira é abrindo mão do ideais radicalmente, para dar lugar ao lucro e poder, ou simplesmente por preguiça de correr atrás do que quer. A segunda, que particularmente acho mais difícil de julgar, é insistir tanto em um sonho a ponto de esquecer de viver as outras oportunidades. Culpa daquela velha lavagem cerebral... as pessoas repetem mil vezes "não desista", embora poucas realmente se importem se você o fizer.

Começa, então, uma espécie de corrida contra o destino. Quebrando a cara como quem troca de roupa. Depois de um tempo, nem dói mais. Vão se acostumando com o fracasso, já que essa busca pela felicidade gera a falta dela. Ao contrário do que dizem, olhar sempre pra frente pode ser ruim. Olhe para os lados e, se preciso, para trás. Reavalie. Procure novos caminhos. Um deles dará certo. Possivelmente aquele pelo qual você nunca pretendeu seguir.

Muitos dos sonhos são nobres, sim. E se realizam. O problema é que outros foram feitos para ser apenas sonhos, nunca realidade. E nisso não tem perseverança que dê jeito. É preciso seguir em frente e construir uma perspectiva nova. Quem sabe uma dez vezes mais bonita? Ter fé num objetivo é maravilhoso, mas não tanto quanto ter fé na vida. Tente, caia, levante, tente mais uma vez. Se não der, talvez seja hora de mudar o foco. Assim, não desgastamos demais a esperança - que é a última que morre, mas morre também. 

sexta-feira, 19 de abril de 2013

A liberdade de ser quem é (ou a perda dela)


Sabe quando você conhece uma pessoa nova? Todo aquele cuidado para não ser muito fechada, mas também não muito expansiva. O medo de falar demais, deixando que a pessoa enxergue além das suas molduras. As perguntas de sempre... a idade, os hobbies, o que você faz da vida? É como se aquela pessoa estivesse tentando te encaixar em alguma padrão, e vice versa. Mas por que não tentar se contentar simplesmente com quem você e outro são?

A verdade é que as pessoas se acostumaram a se esconder. Ou se proteger, quem sabe. Vai ver que isso é consequência dos corações machucados e das decepções que todo mundo tem em algum momento da vida. Lembro de tantas vezes ter tentado ser aquele tipo de pessoa misteriosa, que todo mundo tenta desvendar. Elas nunca parecem sair machucadas. Nunca se sabe o que se passa na cabeça delas. Talvez sejam felizes, tristes, tímidas ou apenas queiram fazer um charme, sei lá.

O fato é que nunca consegui nem chegar perto. Quando via, já estava contando minha vida para alguém que conheci mês passado, mas que já achava que podia confiar. Já estava escrevendo um texto sobre um fulaninho que eu achava que gostava, mas depois de uma semana via que era só mais um. Ficava vermelha quando era centro das atenções. Ria quando tinha vontade e, por mais que tentasse, não conseguia segurar o choro, mesmo quando não queria que ninguém percebesse que eu estava mal. 

Percebi, no entanto, que eu sou livre para ser quem eu sou. Que mais posso querer além disso? Qual poderia ser o resultado de negar a si mesmo? Infelicidade, é claro. Há um tipo de felicidade outorgada que nos reprime, quer nos igualar. Já passou da hora que esquecer os esteriótipos: a mocinha da novela, a vilã do filme, a bruxa que voa na vassoura, a velhinha solitária, os intelectuais, hippies, superficiais... Ninguém é só isso. Sob qualquer circunstância, apenas uma palavra pode nos definir: humanos. Únicos, livres, complexos. Só isso. Tudo isso. 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

As pequenas grandes alegrias da vida

Quando reclamávamos com meu pai para ele abaixar o volume do som, ele dizia que uma das grandes alegrias da vida era escutar uma música que você gosta. Eu, com meus 9 anos, não entendia muito bem o que ele queria dizer - apenas fazia que sim com a cabeça, sem querer contrariá-lo. No fundo, eu duvidava que algo tão simples pudesse ser uma grande alegria da vida. Acostumada com minhas historinhas de heróis, príncipes encantados e mágica, eu esperava ansiosa para o "felizes para sempre". Isso, sim, parecia grande.

Com os anos passando, os contos de fadas foram sendo deixados de lado. Eis que a vida real vai, aos poucos, mostrando a face. A simplicidade mostra o seu valor e, de repente, a gente percebe que felizes para sempre não existe, pelo menos não do jeito que parecia ser. Início, meio e final feliz é por nossa conta, é construído tijolo por tijolo. Os versos da nossa vida vão sendo escritos e, ao longo deles, as pequenas alegrias se mostram grandes, enormes, indispensáveis! Seja o sorriso, o beijo, a companhia, uma página em branco esperando pra ser escrita, alguém escovando nossos cabelos... Tudo que se esconde no cotidiano e o torna mais leve, mais fácil de carregar.

Agora, olhando o céu azulzinho, combinando com o mar, eu sinto meu coração aquecer. Sinto que eu posso ser quem eu quiser. E que alegria poderá ser maior do que a liberdade? Que mais posso querer além de uma tarde ensolarada, uma rede para deitar e um texto todo pronto na minha cabeça, esperando para ser escrito? Ser livre pra ser quem a gente é está sem dúvidas na minha lista das pequenas grandes alegrias. Sabe, hoje tem poucas coisas que eu goste mais de fazer do que ouvir uma boa música, sozinha, deixando os acordes se espalharem pelo quarto e a meninice brincar, novamente, nos meus olhos. É, parece que meu pai estava certo.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Escrever: sentir, transbordar, libertar.


Redação sempre foi minha matéria favorita. Nas aulas da escola, eu ficava empolgada para o dia que nos mandavam escrever, geralmente uma ou duas vezes por mês. Lembro da minha ansiedade para saber o tema e construir o texto, tijolo por tijolo, palavra por palavra. Também adorava quando a professora corrigia. Era como se, enquanto avaliava aquilo que eu escrevi, ela estivesse reservando um tempinho só pra mim, para adentrar meus pensamentos, ler minhas linhas e entrelinhas e se transportar para o meu mundinho particular.

A única coisa que me incomodava era não me sentir livre pra escrever da forma que eu via o mundo e o carregava dentro de mim. Eu estava presa à todas aquelas regras, normas, parágrafos, estruturas... Eu não gostava da seriedade daquilo tudo. Escrever, pra mim, tem muito mais a ver com sentimento do que com razão. Bom mesmo é colocar no papel o que der na telha. Algumas vezes rimar, outras deixar tudo solto. Um dia fazer tudo certinho, com princípio, meio e fim, e no outro deixar tudo embaralhado. Afinal, quem disse que as coisas ocorrem sempre do mesmo jeito? Por que não começar pelo fim, voltar pra o início e depois contar os meados disso tudo? A delícia de escrever é isso! Poder transbordar aquilo que há dentro de nós: a organização, a verdade, mas também a bagunça, a loucura e tudo mais que houver.


 Não posso deixar de reconhecer a importância das normas, da rigidez da dissertação, do editorial ou da carta. Mas o meu maior prazer é o jogo de palavras, o mix de letras, de semântica, de fonética e de sentimento. O texto bom de escrever é aquele que carrega um pouquinho da gente, que leva consigo o brilho dos olhos, o sorriso dos lábios e a dor do coração. É aquele que faz a gente se debruçar sobre a mesa e rabiscar, rabiscar, rabiscar... nos permitindo não medir muito as canetadas. Pouco interessa o assunto, o tamanho ou a estrutura: ele próprio se explica, se apresenta, se vende, se lê.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Algumas verdades que o dinheiro mostra


Existem várias maneiras de se conhecer uma pessoa, mas acredito que a mais rápida e eficaz seja colocando dinheiro no meio. Lembro de um amigo meu da escola que nunca devolvia o dinheiro que pegava emprestado, mas quando emprestava para alguém, sabia cobrar bem direitinho. Talvez ele fosse apenas um mão de vaca, sei lá. O fato é que o dinheiro é especialista em mostrar o pior lado da gente. Não que eu seja um daqueles mentirosos que dizem que não ligam pra isso. Dinheiro é muito bom, sim, mas, por mais clichê que possa parecer, não compra caráter nem felicidade de ninguém.

Sabe aquela velha história do pobre que fica rico e não sabe como lidar com isso? Não volta mais às origens, esquece quem é, de onde veio e de todas as pessoas que o ajudaram a chegar onde está. Passa por cima de um e de outro, mas nem se dá conta disso. O dinheiro já ocupa demais sua visão. Alguns acabam sozinhos com suas fortunas, outros perdem tudo por não saber administrá-la. Enfim, de uma forma ou de outra a vida ensina que o vazio dentro da gente não tem valor nenhum que preencha. Pena que uns demoram demoram tempo demais para aprender.

A maioria de nós costuma usar uma série de proteções e molduras para nos mostrar. Não deixamos que os outros nos vejam por completo, se aprofundem muito, se permitam mergulhar nas nossas profundezas... E se tem uma coisa que o dinheiro faz melhor do que comprar é destruir todos esses escudos. E isso não tem só o lado mal, não. Já conheci algumas pessoas muito boas com dinheiro na mão. Elas mostram que seu valor excede muito à sua conta bancária, pois sabem que se um dia ela se esvaziar, ainda poderão se encher com verdade, amor e certeza de que conhecem o que realmente importa. São pessoas interessantes, daquelas que invadem a alma da gente, seja com um papo legal ou um olhar verdadeiro. Que falam de música, literatura, de fé, de sentimento, ou de coisa qualquer que as interesse, pois não estão interessadas apenas em enriquecer. Pessoas com coração cheio, que, mesmo que estejam de bolsos vazios, encantam por ser exatamente quem são.

Quem muito se preocupa em encher a conta no banco, acaba ficando com a alma vazia. As pessoas com alma cheia não precisam se esconder atrás de rótulos, máscaras, lentes ou fortunas. Simplesmente sabem sob que perspectiva enxergar o mundo. Sabem que precisam de gente, não de objetos. Sabem que são mais que números, são carne e osso. Não têm sede de poder, mas de verdade. Sabem quem é de mentira. Sabem que a vida não tem preço. São raras, sim senhor, mas existem. Estão misturadas em todas as classes sociais. Contam o dinheiro no final do mês e, independente de serem milhões ou apenas um salário mínimo, sabem que o que carregam na carteira é só mais um atalho para dias melhores. O resto da viagem é por conta do que carregam dentro de si.

terça-feira, 26 de março de 2013

Cotidiano: beleza, ironia e valor

É irônico. Reclamo da normalidade, da mesmice, da rotina... mas é só me ver fora da minha zona de conforto que não vejo a hora de tudo voltar aos conformes. Eu até gosto da mudança, mas quando tenho sobre ela um certo controle. Imaginar que as coisas podem não mudar nunca me incomoda sobremaneira. Mas espero que a mudança seja suave, educada, pela licença antes de entrar. Se é repentina, difícil, dolorosa ou inesperada, me dá medo. A má notícia é que, na maioria das vezes, sou virada ao avesso sem nem reparar. A gente só vê a beleza do cotidiano quando ele nos é arrancado. Mas, sabe, é ele que nos molda e nos faz crescer. Vivê-lo pode ser mais raro do que parece: a maioria simplesmente passa pelos anos, deixando o tempo as conduzir, sem reparar que podem fazer exatamente a mesma coisa todos os dias, mas cada um deles é único. Nada voltará a ser da maneira como é hoje! Grande é o valor de ser comum, de ser você, de ter ar, amor, casa, saúde... e pessoas para compartilhar o dia a dia. Não vou abrir mão de ser feliz com aquilo que a vida me oferece. Afinal, é como dizem: talvez o final feliz seja só seguir em frente.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Liberdade, gaivotas e suco de laranja


"Tudo posso, mas nem tudo me convém..."

Tem dias que tudo que eu queria era sair correndo até não aguentar mais, ir pra bem longe onde ninguém possa me achar. Depois, penso melhor e vejo que não poderia sentir paz ao me ver sozinha. Em outros, sinto vontade só de tomar um suco de laranja na varanda e ficar olhando o céu, paradinha, na minha. Mas aí sempre tem algo ou alguém para me interromper. E meu suco de laranja, tão docinho, acaba.

Eu quero ser livre. Acho que todo mundo quer. Mas é difícil entender essa tal de liberdade. Sempre tem algo que me faz sentir aprisionada, nem que sejam meus próprios pensamentos. Vai ver que essa tal liberdade, como as pessoas pensam que é, nem exista. Talvez ela seja outra coisa bem maior e que as pessoas não enxergam. Talvez seja algo concerto, ou talvez seja só um estado de espírito. Quando penso sobre isso, vejo que ainda estou longe de compreender. Eu tenho uma fé dentro de mim que me faz sentir liberta, mesmo que eu nem saiba direito o que isso significa.

Se eu tivesse que citar uma imagem, um simbolo, um ser que me remeta liberdade, sem dúvidas falaria das gaivotas. Acho que já deu pra perceber que amo gaivotas. Além de achá-las lindas, sinto até uma pontinha de inveja ao vê-las voar, tão livres, tão leves, mas ao mesmo tempo sempre em bando, sempre juntas. Vão a todo lado, mas nunca sozinhas. Quem dera poder voar por toda parte, sentir a brisa tocar minhas asas, mergulhar nas nuvens e sentir o sol sob a pelagem, sabendo que ao meu redor estariam sempre os meus semelhantes, desbravando junto comigo o mundo inteiro.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Sobre pessoas que amam oque fazem

Uma frase que é um tanto senso comum, mas não deixa de ser uma grande verdade, é que deve ser maravilhoso trabalhar com oque gosta. Todo mundo está cansado de ouvir isso, mas muitos ainda não pararam realmente pra pensar a respeito.

Escuto um montão de gente reclamando do trabalho. Meu pai, os vizinhos, professores... eles ficam mal não por que o trabalho vai mal, mas por que só queriam uma oportunidade pra larga-lo. Trabalhar por dinheiro me parece ser muito desgastante, afinal, meu sonho nunca foi ganhar na mega sena, e sim ser feliz e realizada.

Tudo isso me faz pensar muito a respeito do meu curso. Médicos sempre foram os profissionais que eu mais admirei, mais prezei. Desde criança adoro meu pediatra, minha dermatologista é um amor e costumo prolongar as consultas, porque gosto de perguntar. Mas será que esse respeito e admiração são suficientes pra tomar a medicina como MINHA profissão? Eu quero realmente gostar de ir pro trabalho, sair de casa satisfeita. No meu tempo livre, eu não quero me sentir aliviada por passar longe de qualquer coisa relacionada ao meu emprego. Quero gostar de ler a respeito, adorar pesquisar e me aprimorar, ser muito interessada e apaixonada pelo que eu fizer.

Se eu tivesse todo dinheiro do mundo, será que eu continuaria indo ao meu consultório? Essa pergunta me intriga muito. Eu amo escrever no meu tempo livre, mas sempre escutei como é difícil ganhar a vida sendo escritor. Jornalismo sempre me chamou a atenção, mas medicina parecia tão mais concreto, mais certo. Será que no futuro vou me ouvir repetindo que minha paixão maior é mesmo escrever, e que a deixei de lado por achar difícil torna-a rentável? Tenho muito medo disso. Me vejo como médica, mas escrever é algo que sai naturalmente. Nem ia parecer um trabalho, uma obrigação. É realmente um interesse.

Eu sei que sempre vou escrever, mesmo que só pra mim, mesmo que eu ganhe muito dinheiro, mesmo que ninguém vá ler. Mas não sei se vou sempre amar levantar de manhã pra ir ao hospital, independente da situação. Ajudar as pessoas sempre foi minha inclinação, minha vontade, meu objetivo... Espero que isso prevaleça e me faça amar meu curso e minha profissão.

As pessoas que deixam o sonho de lado por dinheiro nunca devem ter pensando que, difícil mesmo, é subir na vida fazendo oque não gosta. Afinal, quando se ama o trabalho, logo surgem mil ideias para aprimora-lo. Porque as pessoas que amam oque fazem são animadas e eufóricas. E é isso que as torna tão apaixonantes.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Sobre lágrimas e seus desenrolares


As pessoas gostam de citar os sorrisos para falar dos momentos mais importantes de suas vidas. Concordo que sorrisos são lindos, agradáveis e podem colocar um tempero a mais em várias situações. Entretanto, nos momentos mais marcantes da minha vida, foram as lágrimas que estiveram presentes.

No instante do meu nascimento, eu estava chorando, não sorrindo. E assim também estive nas horas de maior tristeza, de maior felicidade, nas maiores emoções... Das maiores perdas às maiores conquistas, era o gostinho salgado delas que eu degustava, com os olhos brilhantes e a alma cheia, quentinha, à flor da pele. Nas horas angustiantes, no alívio, nas experiências que mais me fizeram crescer... basta um fechar de olhos para ver que as lágrimas me acompanharam fielmente.

É claro que adoro carregar um sorriso no meu rostinho, afinal, quem não gosta de estar nos eixos? Entretanto, é preciso sair deles de vez em quando, abandonar o conforto, fugir de si, pra depois voltar mais vivo, mais forte, mais humano. E, nesses momentos, foram as lágrimas que me ajudaram a moldar meu caráter e meu ser.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Férias, cobranças e finais felizes

É até estranho quando a gente passa um tempão focado numa coisa e finalmente acontece. Férias, embora seja ótimo, maravilhoso e tudo mais, também é um pouco estranho. Você vive correndo pra lá e pra cá, mil coisas pra fazer, mil pessoas em cima de você e de repente (puf!) acabou tudo. Não tem mais nada pra fazer. Pelo menos por um tempinho, jajá começa tudo de novo.

O fato é que a gente se acostuma com as cobranças vindo de todos os lados. Todo mundo espera que você se dê bem em tudo que faz. O final feliz deixa de ser um sonho pra ser praticamente uma obrigação, só que na verdade nem sempre ele acontece. Tem gente tagarelando o tempo todo dizendo que a gente não pode desistir, tem que correr atrás, lutar... mas e quando a gente não pode fazer mais nada? Significa que tudo foi uma droga? Claro que não! Você fez seu melhor, viveu mil coisas boas no meio do caminho... apenas não ocorreu como planejado. Isso nem é necessariamente um final triste. Apenas diferente.

O mesmo ocorre com os relacionamentos. Muito me intriga quando vejo uma pessoa que terminou um relacionamento de uns 5 anos e diz que "não deu certo''. Deu certo sim! Por cinco anos! Só que acabou... como quase tudo na vida. Sei que não é isso que a maioria espera que aconteça, mas as vezes é inevitável. E não quer dizer que não funcionou, que foi um erro. Apenas acabou. Dando lugar pra novos começos. Esse é o ciclo da vida.

Não importa o quanto as pessoas te cobrem, te encham os ouvidos com contos de fadas e felizes pra sempre, digam pra você ir atrás dos seus sonhos... Independentemente dessas vozes todas, pare um pouco. Se dê férias, nem que seja só para a sua cabeça. A forma como você viveu sua vida inteira vai importar muito mais do que a forma como ela terminou. Na prática, não são os fins que justificam os meios, mas os meios que justificam os fins.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Televisão, tempo e finais de ano

Muito me irritam essas pessoas que dizem que televisão só tem coisa ruim. Muito fácil falar que não presta. Queria ver era elas viverem sem uma televisãozinha de vez em quando. Sem falar que muitos por ai só tem uma pequena noção do que ocorre no mundo por causa dela.

Eu, assumidamente e sem culpa nenhuma, adoro ver uma besteirinha na Tv. Em uma dessas tardes entediantes de domingo nas quais a preguiça não me permite fazer mais nada além de ficar deitada assistindo alguma coisa, vi uma reportagem que citava um trecho de uma obra da Simone de Beauvoir que expressa muito bem a impressão que tenho sobre o tempo, a vida e sua passagem.

Dizia assim: "O tempo é irrealizável. Provisoriamente, o tempo parou para mim. Provisoriamente. Mas eu nao ignoro as ameaças que o futuro encerra, como também não ignoro que o passado é quem define a minha abertura pra o futuro. O meu passado é a referência que me projeta e a qual devo ultrapassar. Portanto, ao meu passado eu devo o meu saber e a minha ignorância, as minhas necessidades, as minhas relações, a minha cultura e o meu corpo. Que espaço o meu passado deixa hoje para a minha liberdade? Não sou escrava dele.  O que eu sempre quis foi comunicar da maneira mais direta o sabor da minha vida.  (...) Não desejei nem desejo nada mais do que viver sem tempos mortos."

Tem muita gente por ai opinando sobre oque o tempo é e nao é. Inclusive eu. Mas achei o modo como a autora sugeriu extremamente sensível. Afinal, é isso que o tempo e o passado fazem com a gente. Prendem e libertam, tudo ao mesmo tempo. Muita coisa esses dois já tiraram de mim, mas a sabedoria e a maturidade que os anos trazem, nada mais pode oferecer. É o melhor remédio pra feridas abertas, coração machucado, cabeça dura e todas essas coisas que todo mundo tem em alguma fase da vida. Ou em todas elas, só que de formas diferentes.

É até clichê refletir sobre essa matéria estranha que é o tempo em finais de ano, mas não resisti. É algo que esse clima de ano novo sempre me traz. Essa coisa de encerrar um ciclo e começar tudo de novo. Esse monte de gente falando que "nossa, o ano voou."  E de fato, voou mesmo. Mas ainda bem que alguém teve a ideia de dividir o tempo em pedacinhos, pra dar a impressão de que dessa vez vai ser diferente. Que vai mudar, e pra melhor. Quando, na verdade, o sol vai continuar brilhando como sempre brilhou, o corre corre vai continuar exatamente da mesma maneira e as avenidas vão permanecer lotadas de gente pra lá e pra cá. Quem pode mudar é a gente. Deixando surgir um amor enorme dentro de nós. Pra ver se ilumina quem tá do nosso lado. Pra ver se dá força pra o outro seguir — porque, como dizem, o tempo não espera por ninguém.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Libertando-se


Um dia desses estava lendo um texto que falava sobre desapego. Sabe aquela historia toda de budista, de não dar valor às coisas do mundo e se libertar? Pronto. Inicialmente eu achava que se tratava apenas de coisas materias, tipo roupas, dinheiro, essas coisas, mas acabei descobrindo que essa teoria vai bem mais além: você deve se desapegar de todos os seus desejos, pois, segundo eles, são estes que causam sofrimento, e se voce se desapegar voce simplismente nao iria sofrer! Ou seja, aceitar as mudanças, tal... parece bem agradável, apesar de isso incluir voce nao poder tambem ficar dando mil pulinhos e toda serelepe porque entrou em medicina em primeiro lugar, por exemplo, já que voce nao pode se apegar tanto as suas vontades. Mas, enfim, parecia uma boa!

Tentei, por umas duas semanas, praticar o desapego na minha vida. Tudo bem que eu já me considerava bem desapegada antes de ler essa matéria, mas depois de ler aquilo percebi que sou mesmo muito ligada aos meus desejos. Tentei fingir que nao ficava contrariada quando algo que eu esperava nao acontecia, ou quando eu esperava uma ligação que nao vinha, mas não adiantou. Alias, achei bem chato essa coisa de não ligar pra nada e estar imutável independente do que acontecer. Talvez eu até goste da tristeza. Ela torna a alegria bem mais especial, dá vontade de correr atras do que se quer... E eu gosto de ficar ansiosa, esperando pra ver se vou alcançar meu objetivos.

Confesso, um pouco envergonhada, que sou mesmo apegada a tudo que me cerca. Pessoas, sonhos, situações... e mesmo que isso me renda algumas lágrimas de vez em quando, estou feliz assim. Claro, tento nao me prender tanto pra nao quebrar a cara - igual a outras dez mil e quinhentas vezes -, mas procuro encontrar o equilíbrio. Acho que sou ocidental demais pra o budismo, ou vai ver eu gosto mesmo dos altos e baixos.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Relato sobre a saudade

Tenho uma mania desde sempre. Gosto de parar no tempo e ficar pensando na vida, no meu presente, no meu passado e no futuro. Pensar nas minhas experiencias, no meu dia... As vezes se torna meio nostálgico. Olho pra trás e vejo quantas mudanças ja vivi, quantas pessoas ja conheci e apenas passaram, quando eu pensei que ficariam pra sempre. Olho fotos, e sinto como se me deslocasse para aquele momento novamente. Leio minha vida inteira como um livro. Já ganhei amigos novos, já perdi pessoas que eu amava, já tive que dizer adeus... e todas essas experiencias, boas ou ruins, parecem me perseguir de maneira constante. Quantas vezes me vi rindo sozinha lembrando de algo que foi bom, ou lamentando algo que foi errado. E assim eu nao consigo me desprender do passado. Choro de saudades, fico sentindo um vazio dentro de mim. Tem gente que diz que saudade é bom, mas até que ponto? Pra mim saudade dói, saudade amarga, mas é a maior prova que o passado valeu a pena, e apesar de todos as falhas, os enganos, todas as vezes que eu vacilei, eu viveria tudo de novo! Mas todos me dizem nao posso viver minha vida olhando pra tras. Tenho que olhar pra frente, mas as vezes é tão dificil... Se perdi uma das pessoas que eu mais amava, tudo que me resta agora sao lembranças, certo? Como posso simplismente deixar pra tras? E entao, por vezes, fui dormir pensando nisso e sem chegar a nenhuma conclusão. Mas enfim achei uma resposta que me convém: posso levar o passado sempre comigo, como uma forma de aprendizado e prazer, usando-o como parâmetro pra viver o que me espera. Não posso apaga-lo e nem ninguem, mesmo que quizesse. Não vale a pena viver se lamentando e se perguntando por que algo foi tirado de voce, pois nunca será possivel fugir das mudanças. Não vou mais ficar constantemente me culpando por erros cometidos anteriormente, pois todo mundo erra, basta que eu me arrependa verdadeiramente dos meus atos e Deus os esquecerá, e a partir daí eu tambem poderei deixa-los de lado e não mais sofrer ou me mortificar, apenas levar como lição. Meu passado deixou marcas e está dentro de mim, assim como os momentos e as pessoas que passaram por ele, nao importa onde estejam, estarão na minha memória e no meu coração. Assim, nao deixarei que a saudade tome conta de mim, ela apenas estará em harmonia com todas as minhas vivências, para nao permitir que eu as esqueça, mas permitir que eu siga em frente. A saudade é o amor que o passado nos herda. Se é amor, é eterno, e se é eterno, é obra dos céus.

domingo, 29 de agosto de 2010

Um atributo ao tempo

Dizem que a vida é curta, mas não é verdade. A vida é longa o suficiente para quem sabe vive-la de forma plena, percebendo as pequenas felicidades. Afinal, tempo é algo relativo. Por vezes senti o tempo se arrastar, custando a passar. Outrora, pensei que o tempo corria, passava e levava consigo um pouco da minha existencia. De uma forma ou de outra, não dá pra viver pensando que cada tic tac do relógio é um segundo mais proximo do fim. Cada um deles pode ser um novo começo. Tempo de fazer planos, pensar no futuro, mas também viver o presente. De se planejar, mas tambem de fugir um pouco da rotina, se libertar um pouco das regras. Afinal, a vida não é só um tic tac caótico e repetitivo, ela é inconstante, dá reviravoltas e as vezes foge do nosso controle. Mas nao precisamos ver isso como algo ruim. A mudança pode ser, sim, uma coisa boa. O tempo a traz consigo, é apenas uma consequência, afinal ele entende tudo de reconstruir. O tempo pode levar para longe de nós pessoas que amamos, pode tirar aquilo que era nosso, pode mudar a rotina a qual nos acomodamos. Mas também é especialista em curar feridas, levar dores, más lembranças, doenças e incertezas. O tempo é matéria estranha. Nos resta aprender a lidar com ele da melhor maneira possivel. É preciso ser paciente mas também ativo, superar e esperar a onda ruim passar, com a certeza de que, se plantares os frutos, uma repleta de alegrias virá. Leve consigo o que foi bom, e deixe que o tempo leve o resto. Agarre-se a felicidade e não a deixe escapar em momento algum...TODO DIA É DIA DE SER FELIZ! Não perca seu precioso tempo reclamando, se comparando, nem julgando os outros, pois se voce julga as pessoas, não tem tempo para ama-las. Apenas viva cada momento, daí voce perceberá que a vida é mesmo grande o bastante pra ser admirável, e que cada instante é longo o suficiente pra se tornar inesquecivel, basta que você permita que isso aconteça. Carpe diem! O tempo não pára, por isso desencane e deixe que ele te levar além de onde a vista alcança.