segunda-feira, 23 de março de 2015

Brilho

Coisa demais mudou e eu, quem diria, me vi longe do papel. Tenho passado por tantos remendos que ando sem tempo, sem inspiração, sem conteúdo... ou sei lá o que me falta. Eu tô estranha, sim. Mas, acredite, eu tô feliz. Aprendi que sou e que posso ser feliz em meio a muitos contextos. Descobri que se um plano não dá certo eu arranjo outro e lá está o meu sorriso. Mas tem coisas que nunca mudam. Sempre dizem isso, e por mais que pareça irritante e repetitivo, é verdade. Você ainda me dá vontade de escrever... Você desperta aquela menininha sensível que eu fui e que ainda sou em algum cômodo dentro de mim. Você me dá saudades de botar pra fora quem eu era e que ultimamente não consigo nem quero mais ser. Eu meio que ainda sou a poesia que você (e algumas outras poucas coisas) conseguem despertar. E você meio que ainda é um bocado de palavras que fazem a vida parecer mais interessante do que realmente é. Ultimamente tenho preferido a sobriedade. Ainda assim, obrigada por me arrancar o brilho que eu não perdi.Vez por outra, preciso dele aqui fora para clarear os dias escuros. 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Querido ex amor,

O tempo passou. Parecia que não passaria nunca, mas passou. E nós crescemos, nós mudamos... Não é engraçado? As vezes, olho pra trás e parece que tudo aconteceu em outra vida, embora essa minha vida ainda esteja meio bagunçada por tudo aquilo. Que bom que o tempo passa. Sabe, muitas coisas ficaram sem ser ditas. Isso doía muito em mim. Eu ensaiava frases prontas no espelho. Eu queria poder dizer o que ficou preso. Eu poderia te implorar um minuto de atenção, mas não aconteceu. Foi melhor assim. Foi melhor escapar aos 45 do segundo tempo do que brigar com você nos pênaltis, um a um, todo dia. Eu estava muito fraca pra medir forças com você. Eu não queria, mas deixei você ir. Doeu. Mas eu li que a dor da perda é a consequência dos melhores dias das nossas vidas. Ainda assim, não vou te agradecer por eles. Dias maravilhosos nascem quando a gente menos espera, assim como os piores que existem. Com sorte, ainda viverei um punhado de ambos. A gente as vezes não quer aceitar, mas um não tem sentido sem o outro. Nós? Nós ainda estamos aqui. Não somos mais as mesmas pessoas, mas com certeza ainda nos conhecemos como poucos. Antes, isso me assustava. Hoje, isso me alivia. Tinha que ser assim. Eu precisava saber de você. Entretanto, hoje eu sei cada vez menos de você e mais de mim. Graças a Deus.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Antes da eternidade

Passou tão rápido. Passou tão rápido e carregou tudo pro passado. Passou tão rápido e varreu as dores pra debaixo do tapete. Mas e se eu não estiver pronta? E se eu não estiver pronta pra deixar de ser aquela com os joelhos ralados? Ou aquela com um sonho que parecia difícil demais, e que parecia tão mais difícil do que sonho? Ou aquela com o coração perambulando por aí com alguém? E se eu não estiver pronta pra deixar pra trás aquilo que já foi sepultado? O que você vai fazer, tempo? Será que me arrastará, então, pra sepultura, pra que eu possa fingir viver com aquilo que não tem mais vida? Ou me arrancará de lá e me fará ver que, pelo amor de Deus, eu mal comecei a viver? Me jogará dentre os vivos, os deprimidos e os irritantemente felizes e me fará olhar para aquilo que você ainda não levou de mim? O problema é que passa tão rápido. É um sopro. E tudo é tão efêmero que se torna difícil demais ter uma noção de eternidade. Mas ela chegará. E então, tempo, eu enfim terei te vencido. Serei eu, Ele e nenhuma dor debaixo do tapete. Serei eu, Ele e quem Ele quiser. Serei, enfim, bem mais que um sopro. Terei vencido a ti. Antes disso, porém, preciso vencer a mim mesma. 

terça-feira, 21 de outubro de 2014

No nosso amor não teve começo. Não teve fim. So teve meio. Mas se no meio coube a gente, não coube na gente nenhum meio. Nem meio termo, nem meio jeito, nem meio beijo, nem meio amasso, nem meio desejo. Nem meia palavra, nem meio som, meio gesto, meio verso, meia rima, meia vida, meia boca. No nosso anseio, em meio ao meio, coube um copo cheio de nós dois.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Ternura - Vinícius de Moraes

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Hoje eu olhei nos seus olhos. Há quanto tempo eu não o fazia... E doeu. Sabia que doeu lá bem no fundinho de mim? Provavelmente eu fingi bem, com o sorriso tímido que dei pra você. Aquele que você gostava, que levanta só um cantinho da boca. Achei que seria perfeito pra ocasião. Eu não queria parecer triste, nem tao pouco radiante. Eu só queria parecer eu. Aquela velha eu, sabe? A que você ainda não tinha magoado e a que ainda não te amava nem te odiava. A que era apenas aquela pessoa. Aquela pessoa pra quem se da bom dia primeiro e pra quem se conta os problemas pra que possam rir juntos deles. Sua pessoa.
Era bom te ter como minha pessoa, também. Você parecia ser bom nisso. Melhor que qualquer "minha pessoa" que eu já tinha tido. Talvez você fosse mesmo bom naquilo. Talvez tenha sido minha culpa querer que você fosse mais que essa pessoa. Talvez EU tenha começado a estragar tudo. Você apenas terminou isso pra mim. E em estragar tudo, você também foi melhor do que qualquer outro. Enfim, eu devia ter previsto. Você tem essa mania de querer ser o melhor em tudo. E geralmente consegue.
Certamente, nenhuma minha pessoa deixou de ser minha pessoa e continuou sendo tão minha, tão de longe, tão de perto, tão bem quanto você.